facebooktwitter2linkedinyoutube 

button googleplaybutton appstorebutton blackberry 

Oi recebe nova multa milionária; solução para o problema virá com acordos na Anatel

Ao que tudo indica, a Oi está colecionando multas por descumprimento de obrigações impostas pela Anatel. E as últimas delas, publicadas nesta sexta-feira,15, no Diário Oficial da União (DOU), podem custar R$ 34,2 milhões à empresa.

Esta cifra é referente a cinco Procedimentos para Apuração de Descumprimento de Obrigações (PADOs) abertos contra a operadora entre 2009 e 2010. Os processos estão relacionados ao descumprimento das metas de qualidade dos serviços por diversas empresas que formam o grupo Oi. Entre estas empresas estão: a TNL PCS e a 14 Brasil Telecom.

Esta nova multa se soma aos R$ 90 milhões já aplicados em setembro de 2012 e a várias outras de menor valor. No total, a Oi tem entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões em multas aplicadas pela agência que ainda estão em fase de recurso administrativo ou já chegaram à Justiça. É uma parte importante dos mais de R$ 11 bilhões que a empresa tem provisionado em balanço ou em depósitos judiciais. Fato é que a Oi é a operadora que mais acumula multas na Anatel. Do total de sanções aplicadas pela agência em 2012, ao menos 75% foram destinadas à companhia, como relata a revista TELETIME de fevereiro, já em circulação. A solução para essa bola de neve (ou bomba relógio, dependendo do ponto de vista) parece estar a caminho. A Anatel está preparando um regulamento para a celebração de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), que deve entrar em consulta pública nas próximas semanas.

Regulamento de TAC

A proposta de regulamentação para os TACs que deve ser colocada em consulta ainda em março, na prática, trará a possibilidade, para as empresas, de se verem livres de passivos bilionários com multas impostas pela Anatel. Para a agência, é uma chance de resolver o problema e obrigar as empresas a investirem em áreas consideradas deficientes.

A iniciativa não é exatamente inédita. Ela segue os preceitos que já vêm sendo aplicados com relativo êxito pelo Ministério Público e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e também por outras agências reguladoras. Segundo o conselheiro Marcelo Bechara, que relata do projeto que regulamenta os TACs, nas conversas informais entre os técnicos da agência e os órgãos de controle (TCU, CGU, Ministério Público etc.) também existe a avaliação de que trocar multas por TACs talvez seja a forma mais eficiente de resolver os problemas crônicos de qualidade, cumprimento de obrigações ou outras infrações que hoje geram milhares de processos que se arrastam por anos na Anatel e depois, por um período igual ou maior, no Judiciário.

Segundo Bechara, esta é apenas mais uma forma de resolver o problema do acúmulo de processos e multas. "Começou com o regulamento de sanções e passa pela nova metodologia de cálculo também", diz Bechara. "O objetivo de colocar tanto as regras de TAC quanto a nova metodologia em regulamentos é dar previsibilidade".

Acordo por conduta, não grupo

Sobre o regulamento de TACs em si, Bechara explica que o princípio fundamental é chegar a um acordo com as prestadoras que resolva o problema e trazer benefícios à sociedade. "Tem que ser bom para a empresa, senão ela prefere continuar recorrendo até a Justiça, e tem que ser bom para a administração pública, para compensar o dano causado e resolver o problema definitivamente", diz o conselheiro. Mas ele alerta que nem todos os processos em curso na Anatel poderão virar TAC. "Não adianta fazer TAC sobre uma irregularidade que não possa mais ser reparada".

A Anatel também não pensa em propor a realização de TACs por grupos empresariais. Portanto, não se deve chegar a um cenário em que a Oi, por exemplo, que hoje tem esse passivo de mais de R$ 4 bilhões em multas aplicadas pela Anatel, possa trocar todas elas por um acordo. "O TAC será celebrado sempre por conduta. Se há processos recorrentes de interrupções sistêmicas, junta tudo e faz um TAC para resolver de uma vez. Mas não juntar tudo em um acordo só", diz Bechara.

Correção e investimentos

Os acordos, segundo o conselheiro, tendem a ter dois pilares centrais. O primeiro é a correção do problema: "ueremos que o problema seja resolvido definitivamente". Depois, a agência entende que o acordo pode incluir uma contrapartida na forma de investimentos não necessariamente ligados ao problema. "Não podemos trocar os processos sancionadores por investimentos que a empresa já deveria ter feito. Para resolver o problema, ela faz o que achar necessário, mas a agência terá o direito de pedir outras compensações para a sociedade. Desde que, é claro, isso faça sentido para as duas partes, do contrário a empresa vai optar por continuar recorrendo". Bechara não entende que as multas (aplicadas ou aquelas que ainda possam decorrer de processos) possam ser entendidas como créditos que a União tem. "Essas multas só viram créditos depois que vão para a dívida ativa. Até lá, a Anatel ou a Justiça podem rever as sanções". Por essa razão, o TAC, incluindo eventuais compromissos de investimento, não será baseado necessariamente no valor da multa.

Investimentos direcionados

Os investimentos decorrentes serão direcionados pela Anatel, ou seja, não é a empresa quem decide como compensar a sociedade. Mas isso não pode desestimular os acordos? Para Bechara, as empresas terão interesse. "Hoje elas estão recorrendo das multas, mas essa bomba uma hora vai explodir, os recursos vão acabar e elas vão ter que pagar. A fatura acaba chegando", diz.

A aplicação dos TACs se estenderá, segundo a proposta a ser apresentada por Bechara ao conselho dia 21 (e que depois ainda passa por consulta pública e nova avaliação do colegiado), a processos em qualquer instância administrativa, ou seja, enquanto estiver em discussão dentro da agência, mesmo que já em fase de recursos. "Mas quanto mais tarde as empresas optarem por fazer o TAC, maiores serão as contrapartidas necessárias. Queremos estimular que esses acordos acabem com o problema logo no começo, não no final dos processos", diz. Em caso de descumprimento dos acordos, explica Bechara, a ideia é que a punição seja severa, tirando da empresa a possibilidade de outros acordos e aplicação integral das multas. "O TAC é um instrumento que pressupõe confiança mútua entre as empresas e a agência. Se não cumprir, quebra a confiança".

Sem culpa

Bechara também explica que o TAC, assim como acontece em acordos semelhantes com outras autarquias e com o Ministério Público, não pressupõe que a empresa assumiu a culpa de um processo. "É um acordo para encerrar o processo, não uma condenação com uma pena educativa". De outro lado, diz Bechara, o TAC também tem uma função educativa. "Assim como ninguém deve ficar acomodado com processos que geram multas, ninguém pode se acomodar com os TACs".

Wilian Miron e Samuel Possebon

Source: www.telaviva.com.br

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Notícias mais lidas

  • Ùltimos 7 dias
  • Ùltimos 30 dias
  • Tudo
O Ministério das Comunicações está trabalhando com a presidenta Dilma em um texto do decreto pronto "há meses" para o compartilhamento...
O governo ainda não definiu o instrumento jurídico que vai permitir que as rádios AMs passem a operar na frequência FM - se decreto ou...
O Google assumiu a posição de maior grupo de mídia do mundo, de acordo com o relatório Top Thirty Media Owners da...
O presidente da Telebras, Caio Bonilha, reiterou durante o 5º encontro nacional de provedores de Internet da Associação Brasileira de...
A Ancine foi autorizada, pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, a realizar concurso público para o preenchimento de 69...
Seis meses depois de publicada a norma que regulamenta o Canal da Cidadania, 35 municípios de todas as regiões do Brasil já pediram...
Executivos da Globosat participarão de uma rodada de negócios com produtores interessados em produzir com os canais do grupo durante o...
O canal CinebrasilTV anunciará durante o 14º Fórum Brasil de Televisão, na próxima semana, um chamamento para o programa "Brasil Hoje...
A Viacom Brasil, distribuidora dos canais Nickelodeon, Comedy Central e Vh1, mostra quais são as demandas de conteúdo para cada canal...
O canal Curta! está em busca de projetos de documentários e séries não-ficcionais para primeira janela de exibição no...
A Globosat desenvolverá ainda este ano dois dos 12 projetos participantes do pitching que encerrou o 1º Programa Globosat de...
O Conselho Diretor da Anatel deve votar nesta quinta, 23, o novo regulamento do Serviço de Conexão Multimídia (SCM).
A operadora de TV por assinatura via satélite DTHi, do empresário Hélio Barroso, está voltando a atuar no mercado, com uma estratégia...
Para viabilizar o funcionamento de sua plataforma de TV por assinatura, a GVT TV enfrenta um grande desafio técnico que exigiu um...
Ainda sem distribuição significativa de seu novo canal Fox Sports, a Fox resolveu pegar carona na programação do Speed Channel para...
Os produtos do Canal Brasil agora podem ser adquiridos por meio de uma loja virtual hospedada no portal Globo Marcas...
O Esporte Interativo lança o Golaço, jogo social desenvolvido pela O2 Games, que estará disponível para Orkut e Facebook.
O projeto "Cartoon.Job", da Split Filmes, foi o vencedor do pitching Cartoon Network/Fórum Brasil 2012.

etg120x60etvr120x60fbtv120x60fbt120x60pp120x60pp120x60